Mexidão Requintado (e requentado)

Bom dia. Ou não. Pelo menos pra mim, que to no trabalho, numa manhã de segunda-feira, fria e chuvosa. Mermão, ninguém merece. O mundo só deveria funcionar depois do meio-dia. Mas há de chegar o dia em que eu vou poder dormir até acordar todos os dias. E não vou precisar ficar me entupindo de café e cigarro pra ficar acordado. Vou me entupir de café e cigarro por prazer. Isso que dá nascer pobre. Mas, chega de lamentações e vamos ao que interessa, porque afinal de contas, quem chegou pra deus e pediu todo humilde pra nascer pobre foi eu mesmo, achando que ele iria ficar comovido e me abençoaria com o nascimento no seio de uma família abastada. Trouxa mesmo, achando que podia enganar deus, ai ai. Então, lembram-se do mexido? A parada de hoje é uma coisa mais ou menos parecida, só que mais elaborada. E pra tal elaboração, vamos usar o grande espaço vazio abaixo das bocas, mais conhecido como forno. Pelo que me consta, será a primeira vez que o usaremos para fazer comida de verdade, afinal torrada não é comida de verdade. E contando com a assessoria da senhora Luiza, que em breve postará uma receita de feijão, com ilustrações e tudo, vamos ao grande ARROZ DE FORNO. Simples, prático, econômico e supimpa.

ARROZ DE FORNO
Nível de dificuldade: Johnny Bravo
Nível de perigo: risco de queimadura, risco de corte
Tempo de execução: 20 a 25 minutos

INGREDIENTES
Arroz (pode ser a sobra de ontem, ou seja, cozido)
Frango desfiado(aquele que sobrou do domingão) ou Atum (OU frango OU atum, os dois juntos fica uma grande porcaria)
Presunto em cubinhos
Queijo em cubinhos
Cenoura em cubinhos
Cebola
Milho
Ervilha
Molho pronto de tomate
Cebolinha e salsa
Queijo ralado

UTENSÍLIOS
Panela
Colher de pau
Forma

MODO DE PREPARO
Bom, assim como o mexido, você vai juntar todos os ingredientes na panela, com exceção da cebolinha, salsa e o queijo ralado. Misture tudo com a colher de pau, e não precisa esquentar, só misturar mesmo. Pode misturar na forma? Pode, véi, tá com preguiça de lavar panela? O problema é que na forma tu não vai ter muito espaço pra misturar, porque ela é rasa. Depois de misturar tudo, salpique a cebolinha, a salsa e muito queijo ralado por cima. Leve ao fogo até borbulhar, ou então até o queijo começar a queimar por cima (aproximadamente uns 20 minutos). Tái, mexido no forno, mesma porcaria do mexido na panela, só que assim você impressiona mais as pessoas.
Obs: da mesma forma que o mexidão, os ingredientes podem variar conforme o que você tiver na sua geladeira, podendo retirar algum que não lhe apeteça ou você não tenha em casa, e acrescentar o que você quiser.

CURIOSIDADE
Segundo o Houaiss: substantivo feminino
1 característica ou qualidade de curioso
2 desejo intenso de ver, ouvir, conhecer, experimentar alguma coisa ger. nova, original, pouco conhecida ou da qual nada se conhece


Vai achando que vai ficar bonito desse jeito.

Enfim, carne.

Senhoras e senhores, trago boas novas. Ou novas receitas. Ou receitas velhas, mas nunca dantes praticadas aca en ese blog. Voltei, pela centésima vez, caros famintos. Dessa vez para dar voz ao terceiro curinga da cozinha. Junto com o ovo e o macarrão, esse alimento forma o grupo dos Aliados na luta contra o eixo da fome. Suas possibilidades são infinitas. Enquanto houver um boi, uma vaca ou um novilho no planeta, sua existência estará garantida. Para pavor dos vegetarianos, que lutam incessantemente pelo fim do uso de alimentos provenientes de pequenos e indefesos animais (um touro bravo não é nem pequeno nem indefeso), postaremos uma receita feita de CARNE MOÍDA. A clássica carne moída, que pode ser feita simplesmente de nada, pra acompanhar um simples arroz, que pode ser feita com batatas, cenouras e otras cositas mas, ou que pode servir para recheio de lasanhas e panquecas, além de molho para macarrão. Mermão, dá pra fazer coisa bagarai com isso. Rocambole, bolinhos, almôndegas, hambúrguer, kibe, kafta. Mermão, é tanta coisa que eu nem lembro, minha memória nem suporta tanta coisa. E ao som de "Hasta siempre comandante Che Guevara" de Carlos Puebla, donde "aquí se queda la clara, la entrañable transparencia, de tu querida presencia, comandante Che Guevara", postarei a receita básica de carne moída, que servirá de base para tantos outros pratos, e que consta na carta deixada por Che, lida por Fidel quando de sua morte, e que, com seu fervor revolucionário, lutou por um mundo mais justo e igual, e que acabou virando a imagem mais reproduzida de todos os tempos, para alegria dos capitalistas.

CARNE MOÍDA
Nível de dificuldade: Jaspion
Nível de perigo: risco de queimadura, risco de corte
Tempo de execução: 10 a 15 minutos

INGREDIENTES
Carne Moída
Alho
Cebola
Sal
Óleo
Caldo de carne

UTENSÍLIOS
Panela
Colher de pau
Faca
Espremedor de alho

MODO DE PREPARO
Eeeeeeeeeeeeentão, tem gente que tempera a carne antes, eu não, porque eu tenho nojo. Eu descasco 4 dentes de alho, pressionando o cabo da faca contra eles, para facilitar. Corto metade da cebola em cubinhos e a outra metade em tiras. Ponho um pouco de óleo na panela, espremo o alho, ponho a cebola, e deixo dourar. Depois jogo mais ou menos uns 250, 300 gramas de carne moída, ponho o caldo de carne, o sal, e deixo fritar. Coloco a cebola em tiras e pronto. Mais fácil que ganhar do Fluminense. Mais saboroso que aquele miojo sem graça, melhor que pão com epa. E tu pode comer dentro do pão, com arroz, com nada, com garfo, colher ou com as mãos. Bueno apetite, cabron, y hasta la revolución siempre.

CURIOSIDADES
Mermão, Che e Camilo Cienfuegos não morreram a toa não, teve caboclinho matando aí, já que esses dois eram muito mais simpáticos e carismáticos que uns outros. Viva la revolución.
Carne Múúúúúúúúúúúúida.

Peeequiiii, João?

Olá, caros famintos que frequentam este pequeno ponto minúsculo na infinita rede mundial de computadores. Como vocês devem saber, eu não costumo dar ponto sem nó. Logo, a receita anterior, um pouco mais requintada do que o que vocês estão acostumados a preparar, foi apenas um treinamento para a receita mais requintada que lhes será ensinada hoje. E pra tal requinte, ninguém melhor que o grande cozinheiro das letras, um dos maiores intérpretes da culinária do Brasil, um goiano do pé rachado, moço, o maior representante da cultura goiana de todos os tempos, a Cora Coralina Culinária, o grandissíssimo João!!! Quem? Ah, meu amigo "rooosaaaa, João!?!?". Agora é com ele.

Ou, deixa eu te falar, tendo em vista o post empregatício publicado neste blog culinário, e que eu já superei o miojo faz tempo, resolvi tentar a sorte com uma receita daqui ó! (lê-se segurando o lóbulo da orelha direita com os dedos indicador e polegar direitos). Eu sou doido com pequi, e acho paia a pessoa não saber cozinhar. Tem gente que vive de comer em pit dog, porque tem medo de ir tentar a sorte na cozinha e dar rata, anêim!!! Vamos aprender a fazer um arroz com pequi arrumadinho, ou quá?


ARROZ COM PEQUI
Nível de dificuldade: jaspion, com uma ajudinha da Mía.
Nível de perigo: risco de queimadura, risco de corte, risco de espetar a boca toda se você for bobo.
Tempo de execução: uns 40 minutos

INGREDIENTES
Arroz (branco agulhinha tipo 1)
Óleo vegetal (qualquer um, desde que seja culinário)
Pequi
Milho
Vagem
Sal, Alho, Açafrão, Pimenta do Reino, Pimenta de cheiro (cumari, bode, coração de galinha...)

UTENSÍLIOS
Panela
Faca
Colher (nas receitas desse chef nunca tem colher)

MODO DE PREPARO
Atualmente, podemos comprar nosso pequi diário em qualquer época do ano e já cortado em qualquer mercado. Primeiro passo: compre uma conserva de pequi. Corte o milho, depois de ter catado os cabelos (tarefinha complicada...), pique a vagem em bisel, tipo de ladinho, separe o pequi e os temperos. Refogue o milho e o arroz em óleo quente com alho, coloque o pequi, e a vagem. Acrescente água fervente e tempere a gosto. Ok, você não sabe qual o gosto, use os citados nos ingredientes em pequenas porções. Opcionalmente você pode usar frango desfiado também, mas complica um tanto e você que come miojo (experimenta tirar o "o" depois do i) não deve saber fazer. Agora tampe a panela até levantar fervura (ferver), daí você tira a tampa e espera baixar a água, agora volta a tampa e abaixa o fogo até ficar pronto. Pra saber que está pronto (como em qualquer arroz) você coloca um garfo no meio e olha. Enquanto o arroz cozinha você prepara os acompanhamentos: banana frita e empanada com gergelim (meu toque de cosmopolitismo) e salada de tomate. Use banana prata, corte ao meio e coloque a parte do meio sobre um prato com sementes de gergelim descascado (já se compra assim) aperte pros grãos grudarem na banana (Em alguns lugares do país, costumam chamar os testículos de grãos. Cuidado para não apertar os "grãos" na "banana"), esquenta-se o óleo, frita e voi lá! Salada de tomate: Bom, é aquilo, você já sabe fazer. Seguindo direitinho, cerrteza que vai ficar bom de mais da conta.

Dica Nutricional (Esse blog não me engana. Roooosaaaa, João?!?!?!): O pequi é rico em retinol, vitamina A, além de ter cálcio, ferro e fósforo e muito espinho. Acredita-se que é afrodisíaco também, bom, não posso reclamar da vida não. Falow procês.



Sim, o Superando Miojo é imorrível

~~~~~Música de Suspense~~~~
Tcharammmmmmmm
É isso aí, meus famintos, estamos de volta. Após um longo período sem receitas, o seu, o meu, o nosso Superando Miojo volta com força total (eu sei, ninguém acredita nisso). Uma enxurrada de i-meious, cartas e curriculos chegaram ao nosso SAF, provocando um congestionamento, além de me fazer rever alguns conceitos e voltar a postar. Manifestações de toda a parte do país, de pessoas morrendo de inanição, implorando por novas postagens. O chef Atala implorando por criações culinárias para que seu restaurante não ficasse às moscas. Artistas que participaram do "we are the world", fazendo correr um abaixo-assinado pelo mundo. Como não me sensibilizar com essas manifestações e continuar a postar maravilhosas e deliciosas receitas? Eis que estou de volta. E pra comemorar que tal aquele arroz soltinho? Preparem-se amiguinhos, porque a luta contra a fome vai recomeçar....

ARROZ
Nível de dificuldade: Jaspion
Nível de perigo: risco de queimadura
Tempo de execução: 10 a 20 minutos

INGREDIENTES
250 gramas de arroz
Óleo
Sal
1 cubo de caldo para arroz

UTENSÍLIOS
Colher de pau
Panela (é impressionante como este item está sempre presente em quase todas as receitas)

MODO DE PREPARO
Bom, pra começar, eu vou partir do princípio que você tem o mínimo de bom senso e compra alimentos de qualidade. Logo, supõe-se que você comprou um arroz que não precisa ser lavado. Se você compra arroz a menos de 10 dinheiros o pacote de 5 kg (com exceção das promoções), pode botar de molho, em uma mistura de água com água sanitária, de um dia pro outro, depois deixar na água corrente por meia hora e pronto, seu arroz vai estar limpo para consumo humano. Agora vamos a receita. Em uma panela, aqueça umas duas ou três colheres de óleo, coloque o cubo de caldo para arroz, o arroz, sal a gosto e misture, deixando fritar um pouquinho, em fogo alto. Acrescente água até cobrir o arroz (um dedo acima). Eu sempre vi as pessoas fervendo água pra botar no arroz. Eu, particularmente, nunca fervi a água, e geralmente ele sai soltinho. Quando a água ferver, abaixe o fogo, tampe a panela e aguarde. Quando escutar um barulho de coisa queimando, acrescente a mesma quantidade de água, e deixe cozinhar até escutar o barulho de coisa queimando de novo. Quando escutar esse chiado peculiar, desligue o fogo e aguarde por uns 5 minutos, com a panela fechada. Veeeeeeeeeeeelho, se sair um arroz soltinho nessa sua primeira tentativa, me avisa que eu te contrato. O mais provável é ter uma papa na panela, um exército coeso e agrupado, marchando ao som de "unidos venceremos". Mas não se desespere. Arroz é uma coisa simples de fazer, e com muita prática você terá uma panela cheio destes grãos separadinhos.

CURIOSIDADES
Pessoas sentem nojo...

Seu objetivo é comer o exército branco!

Contrata-se Auxiliares de Cozinha

Blog Culinário de grande porte contrata:
Auxiliar de Cozinha, com experiência em forno e fogão para ínicio imediato.
Exige-se:
Experiência culinária, disponibilidade de um dia por semana, para testar e postar receitas, bom humor (de preferência, humor negro), sarcasmo, ironia e maldade no coração, além de noções básicas de português.
Salário compatível com a função (deduz-se que você não está levando isso a sério), mais benefícios.
Vagas: 3
Enviar curriculum vitae para superandomiojo@gmail.com.
É isso aí, cambada de famintos, a demanda por receitas está muito grande, e meu tempo curto demais, devido a palestras e eventos ao redor do mundo. Por isso resolvi contratar três auxiliares que queiram fazer estágio para me ajudarem a tocar esse maldito blog. Se você preenche os requisitos acima, basta enviar um e-mail para o endereço acima para ser contratado imediatamente.
No mais, aguardem novidades e receitas novas.